FUNDAMENTOS

 

TECNOLOGIA E AUTONOMIA

A busca das tecnologias ancestrais dos povos tem como justificativa o resgate e a potência da nossa própria autonomia:

“Na aurora da história, havia tantos sistemas técnicos quanto eram os lugares. A história humana é igualmente a da diminuição do número de sistemas técnicos, movimento de unificação acelerado pelo capitalismo. Hoje, observa-se por toda parte, no Norte e no Sul, no Leste e no Oeste, a predominância de um único sistema técnico, base material da mundialização.” (SANTOS, Milton. Técnica, Espaço, Tempo. São Paulo: EDUSP, 1994.)

TÉCNICA E POLÍTICA

A técnica não é neutra, ela é profundamente política e, na nossa época, principalmente na construção civil: a técnica…

“é tão democrática quanto o sistema econômico com o qual se desenvolve. A técnica é a essência deste saber, que não visa conceitos e imagens, nem o prazer do discernimento, mas o método, a utilização do trabalho de outros, o capital.” (ADORNO e HORKHEIMER. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro,: JZE, 1985.)

PORTANTO, os técnicos, fundamentalmente, são políticos e o discurso da neutralidade técnica é o discurso da submissão ao modo predominante de reprodução social.

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EM CONSTRUÇÃO

 

Questionar as causas pode significar questionar o que de mais simples e mais complexo e improspectável possui uma sociedade que pretende planejar e mudar o próprio futuro, a célula fundadora da sociedade moderna, a mercadoria. Tarefa tornada inglória e démodé pelo “consenso democrático-liberal pós-ideológico”. A especulação imobiliária, a falta de terra urbana possível de ser ocupada pelos pobres, a ilegalidade, os milhares de apartamentos vazios no centro da cidade, as favelas que superam os 30% dos moradores de Porto Alegre, tudo isso não acontece porque os empreendedores imobiliários são gananciosos e porque há falta de emprego e crise financeira. Estas já são as conseqüências de construir uma sociedade mediada pela forma mercadoria. Qual o sentido de toda a luta dos movimentos pela “Reforma Urbana” ou pela “Lei da Assistência Técnica Gratuita” se a experiência objetiva, quotidiana, desde há muito, não mais se vincula diretamente aos homens e mulheres que lutam e sim à representação de um determinado tipo de relação social galvanizada pela burocracia e pelo direito, ou seja, pela relação social mediada pela mercadoria? É isto que o IAB defende não tomando posição, pois quem não reclama, pressupõe-se que ache que está bom.




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